De gosto pessoal, concluí que os melhores álbuns dos anos 80 foram lançados só a partir de ’81. Numa pegada “Alta Fidelidade”, separei os melhores lançamentos de cada ano. Ainda que tenha mais de um lançamento que eu goste muito em determinado ano, defini baseado nos mais significativos a mim. Eis a lista:
1981: Minor Threat – Minor Threat
De cabo à rabo, só clássico. Um álbum que influênciou basicamente a todos envolvidos com o punk/hardcore. Sem falar, é claro, na influência ideológica. Tenho uma teoria sobre as segundas músicas de um álbum. Sempre são boas, podem reparar. Às vezes, uma segunda música pode até salvar um disco de ser um completo desastre. E às vezes são tão boas, que merecem o título de melhor música do álbum, que é o caso aqui. Shut your fuckin’ mouth, I don’t care what you say. You keep talking, talking everyday. First you’re telling stories, then you’re telling lies. When the fuck are you gonna realize? That I don’t wanna hear it, know that you’re full of shit.
1982: Misfits – Walk Among Us
Em homenagem ao meu nascimento, Danzig resolveu que tinha que lançar algo excepcional. Escreveu as melhores músicas, e tá aí o resultado. Inclusive, seguindo a mesma linha do Minor Threat acima, ele fez questão que a música 2 fosse a melhor também. I turned into a martian. I can’t even recall my name. Times I never hardly sleep at night. I turned into a martian today.
1983: Agnostic Front – United Blood
Bem diferente do que o mundo iria ouvir anos mais tarde, o primeiro álbum do Agnostic é sujo, crú, direto e reto. Pra alguns, até demais, pra mim, perfeito do jeito que é. E vou além, digo sem pensar duas vezes que é a melhor coisa que eles fizeram até hoje. Tem o Victim in Pain logo em seguida que deixa o páreo duro, mas como competir com um álbum que tem Raybeez na bateria e um hino chamado Last Warning? Aliás, hino esse que teve repeteco no próprio Victim in Pain, né?
1984: 7 Seconds – The Crew
Diz aí, quantos álbuns com 18 fuckin’ músicas você consegue lembrar ser tão influente quanto o The Crew? Quantas bandas conseguiram jogar em um único só álbum tantas músicas boas e com letras sensacionais ao mesmo tempo? Quem me conhece bem, sabe do meu apreço a esse álbum. Simplesmente o álbum que contém “Young ‘Til I Die”, preciso continuar? Não preciso. Dá o play e sorria.
1985: Youth of Today – Can’t Close My Eyes
Sinceramente não sei de mais nenhum outro álbum lançado em ’85 que pode competir com esse. É claro que estou falando sobre meu gosto, como escrevi no início desse post. Porém, isso não torna o primeiro álbum do YOT um álbum que só tapou buraco em um ano sem grandes novidades. Can’t Close My Eyes não é nada diferente do que eles iriam continuar fazendo, mas tem aquela pegada “tosca-boa” que só se consegue passar em uma primeira gravação. Alguns diriam que é até um pouco mais agressivo, mais urgente, e eu entendo, é só rolar a faixa-título e perceber o desespero do jovem Cappo em deixar claro que ele não pode fechar a porra dos olhos dele.
1986: Dag Nasty – Can I Say
Odeio admitir, mas Dag Nasty foi uma banda que por muito tempo eu não dei a atenção devida, até o dia que realmente ouvi o Can I Say. Agora não lembro mais se precisei daquelas básicas “segundas e terceiras escutadas” até me cativar de vez. Mas o que lembro bem é que uma vez cativado, o álbum virou referência. Can I Say é Brian Baker tirando onda da nossa cara, mandando um recado pra cena, que não só tinha feito parte de uma das melhores bandas de hardcore de todos os tempos, como a partir daquele instante ia lançar um dos melhores álbuns de hardcore de todos os tempos, porém, em um estilo completamente diferente. Can I Say é Dave Smalley e seu vocal inconfundivel. Enfim, Can I Say é simplesmente o álbum que esteve presente como influência pra todas as bandas que montei, depois de ouvir. What can I say?
1987: Warzone – Lower East Side Crew
Literalmente uma zona de guerra, esse EP tem uma gravação sofrível, e assumo que não ouvi tantas vezes. Aí tu diz, “what the fuck?”, e eu explico. O lance é que acho de extrema importância destacar esse álbum pelas músicas em si, independente da gravação. Tanto é, que em ’96, como muitos de vocês sabem, eles lançaram uma outra versão do EP, chamado apenas de Lower East Side, e meu amigo… que álbum fantástico! Arrisco a dizer que se tivessem lançado pela primeira vez nos moldes da segunda gravação, ia ficar pequeno pro Don’t Forget The Struggle, que aliás tem a regravação de uma das mais clássicas do Warzone. We’re the crew, positive thinking. We’re the crew, all together. We’re the crew, can’t you see? We’re the crew, we are back!
1988: Youth of Today – We’re Not in This Alone
A única figurinha repetida da lista. Veja bem, isso não é conspiração, e muito menos fanatismo. Não fui convertido pelo Raghunath Das, e juro que o Porcell não me pagou um centavo. Simplesmente esse é um álbum que não dá pra ficar de fora. Em ’88 rolou muita coisa boa, mas cá entre nós… que disco é esse? É aquela coisa, se o Minor Threat deu o start, o YOT deu o fatality. We’re Not in This Alone segrega, une, incomoda, influência, mas acima de tudo, marca. …and I know I’m not singing this song alone!
1989: Gorilla Biscuits – Start Today
Que rufem os tambores! Ou melhor, que toque a trombeta! Enfim o último álbum. Chegamos ao final da década de ’80, e chegamos em grande estilo. Sem dúvida um dos melhores e também mais influentes álbuns do hardcore. Por muitos anos eu considerei o Start Today como meu álbum favorito, e não que eu hoje eu goste menos, porém sabe como é… vamos mudando um pouquinho aqui, conhecendo mais um pouquinho ali, e de repente já fica difícil afirmar com tanta intensidade certas coisas. Agora, o que ainda é possível fazer, é apontar justamente o porquê ter sido por tantos anos o favorito. Acredito que eles conseguiram mesclar com maestria o que algumas outras bandas ensaiavam antes, a mistura do hardcore rápido e agressivo, com a melodia de um punk rock. Talvez um dos primeiros álbuns de hardcore a usar e abusar de oitavas, sem perder a linha. Tem a essência da simplicidade hardcore com um “quê” a mais. Todos os créditos a um gênio chamado Walter Schreifels, que além de cuidar da parte instrumental, ainda escreveu e encaixou letras incríveis. Apenas o disco mais vendido da Revelation Records. ‘Cause what might seem dumb to you, is pounding in my heart.














