Caretas Radicais

Publicado por Macaco Caiçara Em 23 Jun 20112 COMENTÁRIOS

Em Outubro de ’96, a revista Manchete publicava mais uma matéria sobre Straight Edge. Naqueles tempos, tudo era lucro, e qualquer divulgação desse tipo era visto com entusiasmo pela mulecada. Claro, todos tinham noção da forma babaca que a mídia traduzia tudo que era explicado, mas de qualquer forma ainda assim havia entusiasmo quando algo era publicado. Dessa forma, com a vinda da internet, tudo que era publicação desse tipo começou à ser escaneada e compartilhada via e-mail, mIRC e afins. Não foi diferente com essa matéria de 3 páginas, nada novo pra muitos, mas desconhecida pra alguns. Pelo bem do registro hardcore, aqui estão as imagens. Enjoy!

(Clicando nas imagens, bem em cima, não no “SHARE”, como um passe de mágica elas abrem maiores.)

Entrevista do Gorilla #1

Publicado por Macaco Caiçara Em 22 Jun 20112 COMENTÁRIOS

Desbravando novos territórios, o Biscoito do Gorilla orgulhosamente apresenta o “Entrevista do Gorilla”. No esquema clássico e simples de mandar uma série de perguntas para alguém (ou banda), nosso objetivo é ter pelo menos uma vez por semana uma entrevista por aqui. Assim como no Kongcast, a seleção de pessoas e bandas entrevistadas vai de acordo com única e exclusivamente nossa vontade. Pessoas e bandas que gostariamos de saber o que pensam sobre determinados assuntos, e que de alguma forma fizeram ou fazem diferença no Hardcore.

Pra começar, o Entrevista do Gorilla de hoje é com a Glauce Lucas. A Glauce cuida do selo Hurry Up Records com o marido Matteo Ferrari, toca baixo no Overstate, é jornalista, escreve no blog “All About… Vegan Food“, desde 1998 faz o zine Outspoken, e além de tudo isso ainda tira tempo pra Sweet, com bolos e cupcakes veganos. Ela é de Belo Horizonte, mas faz uns 3 anos que mora em Dublin. Ah, e ela fala muito rápido, no típico sotaque mineirês. Confiram a entrevista:

Aqui, is it not just boys fun?

Quando li essa pergunta a primeira vez, pensei “Claro que não, é pra todo mundo!”. Mas quanto mais eu penso no assunto e olho pra realidade ao meu redor, mais vejo que, apesar de ter sempre meninas envolvidas no hardcore, elas continuam sendo minoria e continuam indo e vindo como se fosse apenas uma “passing phase”. No Brasil e acho que na América do Sul no geral, ainda vemos mais meninas em shows e também envolvidas com organização de shows, bandas, zines e tal, mas na Europa, ou pelo menos aqui em Dublin e em alguns outros lugares do lado de cá que conheço, é raro ver algum envolvimento das garotas. Infelizmente a maioria está de passagem, acompanhando outras amigas ou o namorado. Não sei explicar o motivo, não sei se é timidez ou insegurança de se envolver mais ou se elas realmente não querem se envolver além de ir aos shows, mas é o que tenho visto acontecer. Inclusive, a maioria das garotas que conheci indo a shows de hardcore não está mais na cena e nem mesmo vai a shows.

Além da suas atividades na cena por anos e anos com organizações de shows, zine e selo, o que você pode contar na área de bandas? Um resumão, vey.

Acho que meu envolvimento com banda foi uma das últimas coisas que aconteceu comigo dentro do hardcore. Não por falta de querer, passei anos querendo aprender a tocar, mas faltou oportunidade. Até que no final de 2003, o Leandro (Dois Minutos de Ódio, Carahter, Out of Step, Overstate, Backbreaker) aceitou me ensinar a tocar o baixo e junto com todas as aulas e práticas surgiu o Out of Step, que durou até o final de 2004, início de 2005, se não me falha a memória. O OOS foi uma banda básica, sem muita “firula” porque tava todo mundo aprendendo a tocar e não queríamos fazer nada além do possível, então ficamos naquele punk rock básico mas que a gente gostava muito de tocar e a banda com certeza deixou ótimas lembranças. Não tocamos muito fora de BH, mas gravamos um CD demo e nos divertimos bastante com os shows. No final de 2004, ainda com o OOS ensaiando e tocando, veio o Overstate, que já tinha uma proposta mais old school melódica. No início as músicas ainda continuavam mais básicas, mas depois o Leandro se juntou a nós e, entre algumas trocas de bateristas e com uma segunda guitarra indo e vindo, conseguimos fazer algo que realmente gostávamos musicalmente e com a proposta de divulgar o veganismo. Não todas as letras do Overstate são sobre veganismo, mas algumas sim e a maioria das outras diz respeito ao que vivemos no hardcore. Achamos importante “take a stand” em uma época em que mais e mais as bandas optam por não falar de nada específico, de não levantar nenhuma bandeira. O Overstate ficou na ativa até o meio de 2008, quando eu e o Matteo nos mudamos, mas a banda não acabou. Sempre que possível gostamos de tocar e nosso último show foi no ano passado em Belo Horizonte. Tivemos a chance de tocar ótimos shows pelo Brasil, com bandas nacionais e internacionais, tocamos com o Bane também na Colômbia e vou carregar para sempre comigo todas os bons momentos que a banda me trouxe. Acabei não fazendo nenhuma banda aqui em Dublin, mas agora em maio tive a oportunidade de tocar o baixo para o Purification na turnê sulamericana deles e foi uma experiência incrível. A banda não faz exatamente o meu tipo favorito de música (muito metal pra minha cabeça!) mas fazer parte de uma banda vegan será sempre um prazer pra mim e os shows foram muito bons, reforçando ainda tudo o que eu acredito não só em relação ao veganismo mas também ao straight edge.

Em questão de cena em geral, Dublin ou BH? E por que?

Sempre acho difícil escolher entre cenas ou locais, mas nos últimos 3 anos Dublin é a minha realidade, com os prós e os contras. BH sempre vai ter um lugar no meu coração, é a minha cidade, foi onde eu comecei a ir a shows e me envolver de verdade com o hardcore. O final dos anos 90 e início de 2000 em BH traz ótimas recordações, muitos shows, muitas bandas, uma cena local e unida. Depois veio a época em que tive bandas e que fizemos a HUP Brasil, o que fez com que fizéssemos muitos shows em BH e isso também foi ótimo. Acho que o mais importante é tentar sempre fazer algo positivo pra sua cena local, estar envolvido de alguma forma para que ela cresça, se fortaleça e se mantenha. Não adianta ficar falando que tal lugar ou tal país é melhor sendo que você não está lá. Buscar fazer com que as coisas se tornem realidade onde você mora pra mim é o mais importante. Claro que alguns lugares tem mais dificuldades, todos nós sabemos o quanto é difícil colocar uma banda na estrada no Brasil, por exemplo. Mas é sempre possível tentar ajudar. Desde que estamos em Dublin, busco me envolver o máximo possível com a cena local.

Você acha que o grau de interesse sobre vegetarianismo e veganismo ainda é o mesmo no Hardcore, comparado aos anos 90?

Não, eu acho que o interesse pelo vegetarianismo e veganismo mudou muito no hardcore em relação aos anos 90. No Brasil e na América Latina em geral é ainda possível ver esse interesse presente e as bandas e os organizadores de shows (como a Verdurada e o Franco com o Animal Liberation Fest, por exemplo) ainda fazem questão de reforçar a importância deles no hardcore, mas na Europa está cada vez mais raro ver pessoas envolvidas com o hardcore que sejam vegetarianas ou vegans. Não digo que não existe, alguns países é possível ver mais envolvimento, como a Espanha, mas alguns países não. Acho que vejo mais indivíduos vegetarianos/vegans do que bandas, festivais, gravadoras que espalham a mensagem. São cada vez mais raras as bandas, por exemplo, que possuem uma mensagem ligada ao assunto, principalmente nos EUA e Europa. E como tem menos pessoas expondo o tema ao público, tem menos pessoas se envolvendo com ele dentro do hardcore no geral. Como eu disse antes, acho que o Brasil ainda é uma exceção pois ainda existe a mensagem sendo levada, então ao mesmo tempo que pessoas deixam de ser vegetarianas ou vegans, outras pessoas optam pela mudança, o que é positivo.

E o interesse mais profundo em política? Hardcore não politizado é possível?

Eu gostaria muito de dizer que não, que não é possível um hardcore não politizado, mas a realidade atual, a cena atual mostra o contrário. Mais e mais as pessoas e bandas estão deixando a política, o questionamento social de fora do hardcore. Mais uma vez acredito que o Brasil e a América do Sul ainda sejam uma exceção, mas a maioria das bandas norte-americanas e europeias de hoje em dia não possuem letras de questionamento, de indignação. A politização está ficando mais e mais restrita a outras cenas, como o punk, crust e grind, por exemplo. Em alguns festivais por aqui, como o Fluff Fest e o Ieper Fest, ainda existem tendas onde entrevistas e debates são realizados, com o objetivo de promover que hardcore é mais que música, mas o público que participa desses eventos não chega a 10% do público total dos festivais. Isso tudo me deixa triste, quando eu me envolvi no hardcore foi justamente essa ideia de que o hardcore ia além da música, de que muitos dos meus questionamentos pessoais em relação ao mundo não eram só meus, que mais me atraiu. Hoje em dia vejo mais e mais o hardcore se transformando em apenas um outro estilo de música, onde as pessoas vão para os shows como iriam a um show de pop rock ou para uma balada qualquer: pela música, pelo rolê e pela pegação.

Levando em consideração que o Zine Outspoken está até hoje ainda no rolê, seria redundante perguntar se você ainda acha interessante a produção de zines, porém… qual é a sua opinião sobre e-zines? O que você tem a dizer sobre o desinteresse hoje na produção impressa desse veículo, que basicamente migrou pra internet com blogs e afins?

Eu apoio os e-zines tanto quanto os zines de papel. Sei o quanto é difícil e caro publicar um zine de papel e entendo que muitas pessoas não estejam dispostas a isso, afinal, raramente o dinheiro investido volta. Não sei se o interesse nos zines de papel diminuiu do nada, acho que a falta deles faz com que as pessoas não se interessem (como interessar por algo que não existe?). Sempre que vejo fanzines de papel em show ou na internet por aqui, vejo pessoas comprando. Fiz a primeira edição do Oustpoken em inglês aqui no ano passado e vendi tudo. No Brasil ele também continua saindo bem com a distribuição da Caustic. Mas gosto também de ler e-zines, acho que uma coisa não exclui (ou pelo menos não deveria excluir) a outra, tem espaço pra tudo, da mesma forma que existe espaço ainda para livros de receitas vegans e também para os tantos blogs sobre o assunto que estão pela internet. Eu, pessoalmente, gosto de ter um zine de papel pra ler. Gosto do fato de poder colocá-lo na mochila e ler no ônibus, no trem, numa viagem qualquer. Mas também leio zines que gosto online.

Quando a Sweet vai ter uma filial no Brasil?

Ahhhhh o Brasil não precisa de filial da Sweet! Tem tanta gente fazendo bolos e cupcakes vegans deliciosos por aí e é isso que a Sweet é, uma pessoa que resolveu colocar a mão na massa pra oferecer mais opções de doces veganos pras pessoas. É um prazer ver a alegria de pessoas vegans, principalmente das crianças, quando elas recebem o bolo ou os cupcakes para celebrar uma data querida ou para presentear amigos. Se algum dia tiver a oportunidade de fazer alguns dos meus doces no Brasil, farei com todo prazer e espero que alguém goste! hahahaha

O que tem rolado na Hurry Up? Lançamentos, planos, shows…?

Tenho que dizer que 2011 tem sido um ano mais lento pra HUP. Depois de muitos anos focados no Brasil, fazendo o máximo que pudemos, mudamos pra Dublin e, como consequência, o foco principal voltou a ser a Europa. Entre o final de 2008 e o final de 2010 lançamos bandas por aqui de países diferentes (Irlanda, Itália, França e EUA) e estamos com uma distro muito boa também. Por enquanto nosso foco está sendo a distro (tanto aqui quanto no Brasil, com a ajuda dos parceiros e amigos da Caustic) e não sei te falar como será o próximo ano, mas esperamos voltar a ter mais lançamentos em breve.

Últimas palavras?

Gostaria de agradecer demais pela entrevista! Estou mais acostumada a fazer entrevistas do que responder, mas me diverti :) E se conselho fosse bom, eu gostaria de dizer que mais do que criticar a cena hardcore atual ou ficar relembrando o passado com todas as coisas positivas que ele trouxe ou ficar sonhando com uma cena longe da sua realidade, faça algo para trazer os aspectos positivos do passado pra cena de hoje e apoie a sua cena local. Somos nós que fazemos o hardcore e o que ele é ou representa pra nós e só depende de nós melhorá-lo :) E, por fim, GO VEGAN!

Ok, o BDG agradece pelas respostas, e tenha um bom dia!

Bom dia pra vocês também, macacada! E continuem firmes e fortes com o site e os podcasts, sabem que sou super fã, né?!

Verdurada ABC

Publicado por Macaco Caiçara Em 21 Jun 20111 COMENTÁRIO

Pegadinha do Mallandro! Há!

Pois é, não rolou macacada alguma no show, mas agora é uma questão de honra rolar o mais breve possível um novo programa do Kongcast com o tema que supostamente falariamos no show. Sei que desapontamos todas as… TRÊS pessoas que queriam ver a gente falando nada com nada, mas vocês já repararam que “Mallandro” também tem dois “L”s assim como o nosso “Gorilla”?

Em compensação, Brass Monkey registrou em vídeo um som ainda não divulgado em gravação do The Alchemists, “Sunny Days”. Confiram:

Final Prayer no Brasil

Publicado por Macaco 2.0 Em 19 Jun 2011ADICIONAR UM COMENTÁRIO

Algumas vezes já meus amigos de Final Prayer me perguntaram se da pra fazer um tour aqui no Brasil e na América do Sul em geral. Sera que da? Acho que sim! Quem quer fazer um show pra eles ou ajudar de alguma forma deixa um comentário aqui!

Godmoney

Publicado por Macaco Caiçara Em 18 Jun 20115 COMENTÁRIOS

Reparando hoje na enquete ao lado, sobre o “California Takeover”, me lembrei de um filme chamado Godmoney. Imagino ser do conhecimento de muita gente, mas também acredito ter passado batido por algumas pessoas, por não ser um filme popular. O que tem a ver com a enquete? É que o protagonista do filme é o Rick Rodney, vocal do Strife!

Fui procurar o trailer no YouTube pra jogar aqui, e aí que achei uma informação nova pra mim sobre o filme. Aparentemente o filme começou à ser rodado em 1992, e o protagonista seria o Christian Bale (!), mas aí o diretor ficou sem grana durante a gravação, e o projeto foi engavetado, até que voltou em 1997 e finalizaram com o Rick Rodney mesmo. Inclusive no próprio YouTube dá pra ver uns 17 minutos do filme na primeira versão, com o Bale.

Além do Rick Rodney, também tem participação do Fletcher (Pennywise), e de trilha sonora rolam uns Punk Rock e uns HC, fiquem ligados no fim do trailer e dá pra saber quais bandas rolam.

Antifascist Action

Publicado por Macaco Caiçara Em 17 Jun 20111 COMENTÁRIO

Pra quem manja um pouco de inglês, confiram um mini documentário sobre racismo no Hardcore, em formato de entrevistas, com bandas como Agnostic Front, Madball, Terror, Hoods, First Blood e outras.

HARDCORE IS MORE THAN MUSIC 2011 (FULL) from WHITE LABEL on Vimeo.

É isso ae macacada! Esse domingo, dia 19 de junho de 2011, na VERDURADA ABC, vai rolar um bate-papo sobre podcast e ferramentas digitais no meio punk/hc com nós, os babacas do BISCOITO DO GORILLA.
Falar a verdade, vamos falar sobre nossa própria experiência e o que vier a cabeça, por isso, leve perguntas e temas para conversarmos!
Vamos também aproveitar para gravar um podcast ao vivo durante a conversa (se der tudo certo!).

 

Mas fiquem tranquilos, a gente não vai falar muito, vão ter bandas muito boas e comida também comida!
Quando a gente for falar vocês podem ir lá pra fora! Rá!

 

Segue um PODCAST teaser :

 

 

E o cartaz do show!

Hardcore heißt wieder kämpfen!

Publicado por Macaco 2.0 Em 15 Jun 20114 COMENTÁRIOS

Dias desses conversei com um macaco sobre algumas bandas e falei sobre uma das minhas bandas favoritas que, ao mesmo tempo, era uma das bandas que me influenciou bastante nos anos 90. Era uma banda de amigos que se chamava Burned Out.

Burned Out era de Hannover, Alemanha, e na época lançaram um vinil 7“ que chamou muita atenção na cena de hardcore punk na Alemanha. Preciso explicar que na mesmo época tinha uma onda de hardcore americano na Alemanha e em outros países europeus, com bandas como S.O.I.A., Slapshot, Ignite, Pittbull e outros. Com essa onda de HC americano aconteceu literalmente uma limpeza da galera frequentando os shows. Hardcore estava na moda e com a moda apareceram mais e mais camisetas de bandas, limpinhas e bonitinhas. Cada vez mais pessoas frequentavam os shows só para consumir a música, comprar o outfit e alguns vinis/CDs, mas nunca se via uma dessas pessoas em shows de bandas locais, eventos políticos e tal. O ambiente desses shows era bem menos politizado. Como consequência, apareceram mais e mais idiotas nos shows que não se identificavam com as ideias por trás da música, mas que achavam que música agressiva era legal para mostrar a própria força muscular na frente do palco. Pior ainda, esse desenvolvimento abriu a porta para pessoas que se chamavam “a-políticos“ que, muitas vezes, era um jeito demascarar a simpatia por ideias pelo menos conservadoras ou até da extrema direita. Essas pessoas infiltraram-se não somente na cena de hardcore, mas também entre a galera de punk oi (vale lembrar que aconteceu um crescimento forte da extrema direita na Alemanha nos anos 90, depois da queda do muro de Berlim). Estava na hora de tomar uma posição.

Entre aqueles que tomavam posição estavam duas bandas que lançaram vinis focando nesse problema. Uma era Burned Out e a outra era Psychisch Instabil. E as duas bandas tocaram músicas que vieram a se tornar não apenas as musicas mais conhecidas das duas bandas, mas, ao mesmo tempo, slogans sintomáticos para aquela época até hoje. Psychisch Instabil tem todo o meu respeito por ter tomado essa posição necessária, ainda que eu não seja um grande fã de Oi-Punk. A música deles se chamava “Unpolitisch macht hirntot“ (tipo: a-político mata seu cérebro) e era um sing-along perfeito sobre a bosta das pessoas a-políticas, patriotas, nacionalistas, etc. Veja um video deles de 1996 (tocando “Unpolitisch macht hirntot”):


E Burned Out? Então, para mim é a melhor banda de hardcore da Alemanha… raw, pissed-off e político pra cacete. Provavelmente, todas as outras bandas venderam mais vinis e CDs, camisetas, bonés e cuecas. Burned Out nunca gravou em estúdio, mas sempre 4-track no porão. Camisetas não tem (pelo menos a banda não fez camisetas próprias). E a música H.C.H.W.K. da fita demo e depois do 7“ (download) foi um tapa na cara da galera limpinha que achava que hardcore vinha de Nova Iorque.

 

H.C.H.W.K. = Hardcore heißt wieder kämpfen = Hardcore significa lutar de novo. As letras só tinham quatro linhas, mas nessas quatro linhas eles dizeram tudo: “Raider agora se chama Twix, EMI agora se chama Lost&Found, Bravo agora se chama Over The Edge, e hardcore agora significa lutar de novo.“ Vou explicar: na época a barra de chocolate Raider trocou o nome para Twix. Lost&Found era um selo de hardcore de Hannover que lançou principalmente CDs de hardcore do estilo americano e assim perdeu completamente seu espírito de faça-você-mesmo (inclusive lançaram CDs sem avisar as bandas), EMI é um grande selo de metal. Over The Edge era um fanzine que só publicou hardcore limpinho, e Bravo era (e continua ser) uma grande revista sobre pop e moda para adolescentes.

Quem frequentava os lugares underground da Alemanha nos anos 90 (aqueles de Punk e HC) achava um adesivo do Burned Out em cada porta, cada janela, cada parede e cada banheiro. Em bairros “alternativos“ , se viam os adesivos também nas lâmpadas da rua etc. Como um dos caras trabalhava em uma tipografia, ele conseguiu fazer 5000 adesivos de graça e todos só tinham uma frase: “Hardcore heißt wieder kämpfen!“

Depois desse grande 7“, Burned Out lançaram mais um split LP com Amen 81 (download). Sempre adorei as letras da banda por causa da ironia e do cinismo deles. Além de H.C.H.W.K. posso recomendar mais uma música (na verdade posso recomendar todas, mas enfim…) que se chama “Raus aus dem Ghetto“ (tipo: saindo do gueto).

 

A música trata o problema do gueto do hardcore e incentiva as pessoas a divulgar suas ideias também entre outras pessoas que não ligam para o estilo musical, mas estão abertas para ideias diferentes (seja vegetarianismo/veganismo, pensamento crítico e outros). Não existem vídeos da banda na internet, mas quem gosta vai achar uma discografia com todas as músicas da fita, do 7“ e do split LP. E não se esqueçam de ler as letras. Está tudo em alemão, mas ainda dá tempo pra aprender algo novo, não é? ;-)

Endless Grind Skate 2011

Publicado por Macaco 2.0 Em 14 Jun 20112 COMENTÁRIOS

Caraca, em julho vai ter 15 anos de Endless Grind Skate em Bremen! Vamoooo!!!

Quem consegue me achar nesse video vai ganhar um mupy no próximo show!

 

The Alchemists

Publicado por Macaco Caiçara Em 13 Jun 20111 COMENTÁRIO

Se o futebol da Cidade do Aço tá longe de competir com o resto do Brasil na primeira divisão, com certeza não é o mesmo com o punk/hardcore. O The Alchemists acaba de divulgar 3 sons novos, coisa fina, original e de bom gosto. Baixe AGORA!

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